Em Portugal são escassos os estudos disponíveis sobre o número de cuidadores que vivem no nosso país, bem como a quantidade e o tipo de cuidados que prestam, sendo difícil nesta medida quantificar quanto representa o seu trabalho para a economia nacional. Embora se reconheça cada vez mais o seu papel na sociedade e economia do estado, os cuidadores carecem ainda de muito apoio, lidando diariamente com um turbilhão de emoções, desafios e dificuldades inerentes ao cuidar que podem mesmo comprometer não apenas a sua saúde e qualidade de vida, como daqueles que recebem os seus cuidados.

Cerca de 80% dos cuidados totais são prestados pelos cuidados informais e entendidos pelos decisores políticos como um recurso gratuito. Apesar do seu papel, em Portugal o seu real valor não é devidamente reconhecido, não existindo o estatuto de cuidador, nem os apoios necessários.

Os custos com o cuidar não deixam de ser significativos, vejamos a título de exemplo as demências que se afirmam como um verdadeiro problema de saúde público. Os mais recentes estudos epidemiológicos indicam que 1% da população nacional tem doença de Alzheimer, a forma de demência mais prevalente. À medida que esta doença progride as pessoas perdem a noção do espaço e do tempo, perdem a sua autonomia, tornando-se dependentes para a realização das atividades mais elementares de vida diárias. O custo estimado anual com a doença de Alzheimer, ou outras formas de demência por pessoa é de 21,045 euros (dos quais 9,272 euros com custos diretos e 11,773 euros com cuidados informais).

Já de acordo com uma publicação do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (2010) em Portugal, as pessoas com alterações das funções orgânicas e/ou neuro-músculo-esqueléticas podem ter um custo mensal de cerca 1,604 euros e 19,248 euros anuais, com uma contribuição do Estado de apenas 997 euros.